1 de janeiro de 2017

[Adeus 2016] Olá 2017!

[Escrever para não esquecer.]
2016 chegou lentamente: o sol inundou a nossa casa, as flores frescas foram uma constante, compramos velas e apaixonam-nos mais um pelo outro. Eu cortei o cabelo e tu aceitaste comprar uns new balance "iguais" aos meus. A mim deram-me uns headphones e a ti muitos artigos e datas longe de mim. (Tentei) aprender a gostar do skype, do viber e do whatsapps. Sempre que deu, conhecemos muitos restaurantes e cafés novos, passeamos na nossa Lisboa e fomos num fim de semana romântico até ao Porto. Foi em Março que aceitei o facto do Santiago ser doido pelo Faísca Mcqueen e lhe dei a festa que ele tanto queria, foi também por essa altura que a minha Catarina me fez salvaguardar um dia muito especial em Maio de 2017 e eu disse-lhe que sim: que aceitava ser sua madrinha. Entretanto, olhei-te muitas vezes: feliz, realizado, eléctrico. Fui respirando fundo e tentando manter a calma. A distância - aquela que me faz chorar, ter medo e sentir-me (ainda) mais pequenina - foi chegando. O pai, a mãe, (em breve) a tua. Arranquei um dente do siso e ainda que me lembre que doeu não foi o pior de 2016. Sabes (?), observei-te muitas vezes sem que tivesses dado conta, a dormir, a trabalhar, a comer, a leres um livro ou a ver uma serie.
Decidi (sem dar conta) mergulhar no trabalho. Fiz muitas horas extras, dediquei-me a conhecer procedimentos e a explorar uma área nova. Não escrevi, não fui as compras, não visitei o Ikea e passei a não registar. Ajudei(-vos) a fazer muitas vezes as malas - Angola, Açores, África do Sul, São Tomé e Príncipe, Estados Unidos, Bélgica, Japão - a rever as vossas check list e a garantir-vos que tudo por cá ficava bem. Entre muitas chamadas, noites a dormir sozinha e marmitas, o corpo começou a dar-me sinais. Sei (agora) que tive muito medo mas foi-se levando. Recebemos as nossas fotografias do casamento e durante dias a fios foi tudo aquilo que quis ver. (Caramba, como correu depressa 2016.)Chegava o Verão e Portugal pedia mais ao Mister Fernando Santos. Sofremos todos com o Cristiano Ronaldo e por fim gritamos muito pelo Éder. Enquanto tu passaste a ser visita de fim de semana, foi também no Verão, que me disseram que acreditavam em mim: no meu trabalho, na minha dedicação e no meu potencial. Foi nos meus 26 anos que reuni as minhas pessoas, uma mesa cheia e a minha Sofia fez o bolo mais bonito do mundo. Foi em Setembro que senti que tudo se iria compor: comemoramos um ano de casados, abracei um novo desafio profissional e fomos até a Tailândia, ao Cambodja e ao Vietname. Foi em Outubro que a vida me mostrou que é preciso parar, respirar fundo e enfrentar aquilo que somos. Foi em Outubro que, muito a medo, pedi ajuda. Foi em Outubro que dei o primeiro passo: ouvir-me. Foi em Outubro que a minha mãe se despediu, ainda que longe, do seu pai. Foi em Novembro que pedi ajuda a minha Gui e nos descobrimos (assim acredito) às dez e trinta, foi também em Novembro que comecei a abraçar (por mais do que 6 segundos) a minha Marta. Foi também em Novembro que começamos a empacotar (de novo) as nossas coisas e a dizer adeus ao nosso espaço. Foi em Dezembro que me inscrevi no ginásio, que aprendi que pedir ajuda é acto de coragem e parar é um acto de amor próprio. Em Dezembro de 2016 pela primeira vez na vida não passei o Natal com o meu irmão, com a minha mãe e com o meu pai. Foi também em Dezembro que parei, organizei papeis, revi listas, disse que não, disse que sim, e escrevi este texto.

adeus 2016. 
OLÁ 2017!

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